GASOLINA
Declarar os combustíveis fósseis instrumento criminoso; o custo incalculável de um litro; protestos em museus e artwashing; a greve climática infantil em Sinop
Participantes: Begüm Özkaynak, Ümit Şahin, Jale Karabekir, Ömer Madra, Burcu Tokuç, Cansın Asarlı, Eraslan Sağlam, Gül Şener, Yasemin Çolak, Cihan Küçük, Kaybid, Eymen Aktel
Moderadores: Serkan Kaptan, Ayşe Ceren Sarı, Yasemin Ülgen
O Sindirim é o segundo programa concebido pelo coletivo birbuçuk no âmbito da 16ª Bienal de Istambul (2019). Ao contrário do Solunum (2017–2019), coloca no centro não conceitos abstratos, mas objetos cotidianos — concreto, batata, gasolina, água, processador. Cada objeto percorre duas etapas: em sessões preparatórias fechadas, pesquisadores, artistas e ativistas discutem o objeto a partir de suas próprias práticas; em sessões públicas, essas discussões são abertas ao público em diferentes espaços de Istambul. O texto a seguir é o registro editado da segunda sessão pública, realizada no WORLBMON (MSGSÜ Museu de Pintura e Escultura de Istambul) em 5 de outubro de 2019. As identidades dos participantes estão registradas no início; ao longo do texto, as vozes se entrelaçam, traçando o percurso de um pensamento coletivo. A sessão aconteceu em formato maratona — apresentações consecutivas, performance e perguntas e respostas.
ABERTURA: DECLARAR OS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS UM INSTRUMENTO CRIMINOSO
A abertura segue um ritual recorrente: o mundo está mais quente, mais poluído e caminha para a extinção mais depressa do que nunca. Mas desta vez o tom da abertura é mais incisivo. A equipe do encontro da gasolina compartilha com o público algo sobre o qual está de acordo: os combustíveis fósseis devem ser desacreditados e declarados um instrumento criminoso. Isso não é uma análise, é uma posição.
E outra confissão: quando a 16ª Bienal de Istambul foi inaugurada, soube-se com pesar que algumas empresas cujo único ramo de atividade são os combustíveis fósseis estavam entre as instituições que apoiavam a Bienal. Aceitar esses patrocínios num evento artístico que põe a crise climática no centro não é considerado correto. Ainda assim, também se reconhece o valor de estar aqui, de trazer essas questões para a pauta, de esta plataforma ter sido aberta. A tensão de falar de dentro é tão antiga quanto a própria Bienal, mas o birbuçuk é uma das poucas vozes a trazer isso abertamente ao palco.
O PREÇO DE UM LITRO DE GASOLINA
Sobe ao palco alguém da área da economia. A pergunta parece simples: quanto custa um litro de gasolina? Consultou-se o preço da véspera — 6,80 liras no lado europeu de Istambul, 6,86 no lado anatoliano. Calculado até a última casa decimal — uma precisão que faz pensar na meticulosidade com que se mantêm as contas. Com um litro de gasolina se percorrem cerca de doze quilômetros na estrada. De Yedikule até o local da Bienal são onze, doze quilômetros — o equivalente a um litro.
Mas o custo real não é esse. Quando se começa a calcular o custo de um litro de gasolina, o livro-razão cresce como uma avalanche: a destruição ecológica nas regiões de onde o petróleo é extraído, a poluição dos processos de refino, a pegada de carbono da cadeia de transporte, a pobreza, a corrupção e a guerra que vêm no rastro do petróleo. O preço da terra e da água contaminadas e das pessoas que adoecem. E o mais pesado — o ecocídio que fica para trás.
Quem fala diz saber calcular bem os custos, mas nenhum sistema contábil consegue calcular esse custo por inteiro. Porque certos preços não se convertem em moeda. A economia ecológica é precisamente o campo que tenta tornar visíveis esses preços incalculáveis — e a gasolina é um de seus exemplos mais dolorosos.
"Todos nós, de uma forma ou de outra, somos parte da gasolina, somos seus consumidores."
NOSSA CASA ESTÁ PEGANDO FOGO
O palco escurece. Várias vozes se erguem. Uma colagem de diferentes discursos de Greta Thunberg — traduzida para o turco, às vezes distorcida, partida, repetida. É uma performance: as palavras de uma menina de dezesseis anos saem de várias bocas, umas sussurram, outras gritam. "Nossa casa está pegando fogo. Estou aqui para dizer isso." Esperança, pânico, raiva, impotência se entrelaçam.
Nossa casa está pegando fogo. Nada pode ser desculpa para não fazer nada. Quando agimos, a esperança está em todo lugar.
A performance traz o paradoxo mais marcante de Greta ao palco: uma criança obrigada a pregar aos adultos. "Meu nome é Greta, tenho dezesseis anos" — essa frase pesa mais a cada repetição. "Quero me sentir segura, andando sozinha à noite, sentada no metrô" — a crise climática é uma questão de segurança, uma ameaça existencial. A geração que teve o futuro roubado fala, e o salão ouve em silêncio. As emissões precisam ser reduzidas à metade em onze anos. Todos neste salão ouvem isso — mas quantos vieram até aqui movidos a gasolina?
ARTE E LAVAGEM DE IMAGEM: A HISTÓRIA DOS PROTESTOS NOS MUSEUS
Alguém do mundo dos museus sobe ao palco e, ao se apresentar, diz: "se eu me definisse como ativista, cometeria uma injustiça com as outras pessoas que participam aqui" — mas o que relata é o próprio ativismo. Artwashing: empresas de petróleo, fabricantes de armas lavando a própria reputação ao patrocinar instituições de arte. Na linguagem das próprias empresas, isso se chama "gestão de reputação".
A narrativa começa na Inglaterra: o movimento Liberate Tate, com seis anos de protestos persistentes, de 2010 a 2016, conseguiu pôr fim ao patrocínio da BP à Tate. O museu tem mais de cem mil membros — essa base torna possível mobilizar a opinião pública. O sucesso se irradia: nos Países Baixos, a Fossil Free Culture encerra o patrocínio da Shell ao Museu Van Gogh. Na França, o Libérons le Louvre luta contra a Total — e na semana passada fez mais uma ação. O relato recua ainda mais — até 1969, à Art Workers' Coalition. A Guerra do Vietnã custa setenta bilhões de dólares; a corrida espacial, dez dólares por americano. A classe média está sendo esmagada. Um grupo de artistas apresenta ao MoMA uma lista de treze demandas: direitos dos artistas, mais espaço para artistas negros, acesso da classe trabalhadora ao museu. Apenas uma demanda é aceita: entrada gratuita um dia por semana. Dois meses depois, o MoMA a suspende alegando perda de receita, e diante dos protestos é obrigado a restabelecê-la. Esses dias de entrada gratuita continuam até os anos 1990 — depois passam, sucessivamente, ao patrocínio da Target e da Uniqlo. As corporações tomaram o lugar do público.
E então uma confissão marcante: "Sou, acima de tudo, profissional de museu, e o principal patrocinador do museu onde trabalho é uma empresa de petróleo." No contexto turco, a base de membros dos museus é fraca; o patrocínio é uma necessidade. Não com dez mil, mas com cem mil membros é que podemos abrir a discussão sobre o patrocínio do petróleo, afirma — uma posição provocadora.
As empresas entram com muita facilidade nos espaços que o público não assume como seus. E, nesta fase, também não acho certo reclamar disso em países onde o público não os assume.
DE SINOP ÀS RUAS: REBELIÃO CLIMÁTICA
A última apresentação é a mais pessoal. Uma voz ativista da Extinction Rebellion narra um percurso que começou com uma ida solitária às ruas. Sua motivação: ver o que Greta conquistou aos quinze anos e querer dividir esse fardo em vez de confiá-lo a uma criança.
O momento mais poderoso da história acontece em Sinop. Decidiu-se fazer uma greve climática com as crianças. As crianças prepararam seus cartazes, elas mesmas quiseram marchar — "vamos sair de qualquer jeito", disseram. Quem conta a história hesitou: como as forças de segurança vão tratar as crianças? As famílias vão se zangar? Vamos tirar fotos e compartilhar, sugeriu. Mas as crianças estavam decididas. Marcharam com tanta entrega que não seguravam os cartazes junto ao peito, mas voltados para as pessoas, mostrando-os. Depois foram brincar no parque. Quem narra se deitou debaixo de uma árvore e ficou olhando as crianças — nas condições de Istambul, até ver algo assim já era uma alegria.
Mas à noite uma criança se virou e disse: "Foi a primeira vez em anos que brinquei como uma criança." Essa frase se aloja no peito de todos. As próprias crianças escolheram lutar pela justiça climática — mas será que sem querer colocamos um fardo sobre elas? Será que não conseguem viver a infância?
As crianças estão realmente fazendo o melhor que podem. Nossa geração, nós, adultos — estamos nos esforçando o suficiente para isso?
COERÊNCIA: DE TREM PARA ANCARA
A sessão de perguntas e respostas ganha profundidade inesperada. A primeira pergunta é simples: "Qual foi sua motivação? Por onde devem começar os que não conseguem agir?" Mas as respostas não são simples. Ação individual ou transformação estrutural? Essa tensão é o próprio objeto gasolina — a conexão entre o consumo individual e a violência sistêmica. Alguém que trabalha com pesquisa conta uma história antiga: em 2007 reuniram quase 170.000 assinaturas pela ratificação do Protocolo de Kyoto e foram ao parlamento. Numa reunião da comissão, um membro do parlamento perguntou — como chegaram a Ancara? A resposta "viemos de trem" causou espanto. Depois que eles saíram, os burocratas falaram longamente: "Vejam só, eles nem andam de avião mesmo." A coerência convence.
Mas a ação individual sozinha não é suficiente. Entre a energia que se gasta para reciclar em Istambul e a que se gasta na Inglaterra há uma diferença abissal — se o serviço não chega até você, não é possível reduzir emissões com esforço individual. Medidas individuais tomadas sem mudança de políticas não têm efeito nas emissões. Uma voz propõe o conceito de "capitaloceno": não o antropoceno, mas uma era causada pelo capitalismo. Sem que o sistema mude, a transformação individual não será suficiente.
E um momento pequeno, mas marcante, no salão: alguém confessa que, com tanta gente vegana ao redor, tem vergonha de dizer que não segue o veganismo. A ação individual que gera pressão social — isso também é um mecanismo de transformação, suave mas eficaz. Com o lembrete da resistência contra a mineração de ouro nas Montanhas Kaz, o salão se amplia: na próxima semana, espera-se em Çanakkale uma ação com trinta mil pessoas; a licença da Alamos Gold vence em 13 de outubro.
Quando o encontro da gasolina se dispersa do salão, todos sabem que o preço de um litro de gasolina não é 6 liras e 80 kuruş. Mas ninguém consegue calcular quanto é. Talvez ser incalculável seja o preço mais verdadeiro da gasolina.