ÁGUA
O direito da água a fluir, lutas contra as HES, córregos enterrados de Istambul, mercantilização da água
Participantes: Akgün İlhan, Adnan Mirhanoğlu, Sevinç Alçiçek, Özgül Arslan, Elmas Deniz, Müge Yıldız
Moderadores: Serkan Kaptan, Yasemin Ülgen, Ayşe Ceren Sarı
Como birbuçuk, começamos a respirar com a água. 17 de junho de 2017, Istambul. As frases que restaram da conversa — abertas à reflexão e ao uso — foram editadas por nós. Seguindo o modelo dos artigos acadêmicos, preferimos apresentar o texto do encontro como produção coletiva. As identidades dos participantes são indicadas no início; as vozes foram anonimizadas para fluidez e transformadas em fala coletiva.
SEJA COMO A ÁGUA, MEU AMIGO!
A água é o começo de tudo. Tales o afirmou, Bruce Lee transformou isso em filosofia de combate, Heráclito nos lembrou que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, Lucrécio falou da perpétua transformação da água. Mas a água é também um campo de lutas — talvez o mais antigo de todos. Os que se sentaram em torno desta mesa — uma hidrogeóloga, uma ativista pelos direitos à água, uma pioneira do movimento ambiental e três artistas — se aproximam da água a partir de posições distintas, mas todos enxergam a mesma coisa: um mundo no qual a água não consegue mais fluir livremente.
Uma ativista, ao recontar sua própria trajetória, diz: "Eu sou como a água." Uma vida que se move da arquitetura paisagística à militância pelos direitos à água. No começo: descobrir os riachos e fontes de Istambul; no meio: compreender como o planejamento urbano torna a água invisível; no fim: fazer parte do movimento internacional de justiça hídrica. Quando ocorrem cortes de água em Istambul, a ideia de que a água é um direito se torna concreta. Guerras pela água eclodem na Bolívia, torneiras são instaladas com pré-pagamento na África do Sul, pessoas saem às ruas contra as contas de água na Irlanda. Esta é uma onda global — mas na Turquia ainda é insuficientemente debatida.
Foi assim que nasceu a Campanha pelos Direitos à Água. No início, partiu da exigência de que a água fosse reconhecida como direito humano fundamental. O reconhecimento da água como direito humano pela ONU em 2010 foi uma vitória — mas uma vitória que ficou no papel. Porque ao mesmo tempo, a mercantilização da água se acelerou: os abastecimentos municipais foram privatizados, a indústria de água engarrafada cresceu de forma exponencial. E esta pergunta ficou no ar:
O rio tem o direito de fluir. Falamos do direito das pessoas à água — mas não falamos do direito próprio da água. Por que um riacho não deveria fluir livremente?
O direito à água não é um conceito que pertence apenas aos seres humanos; a própria água tem direitos. Fluir livremente, encontrar seu próprio caminho, circular pelo subsolo, alcançar o mar. Cada vez que a aprisionamos em tubulações, barragens, garrafas e canais, estamos de fato bloqueando nossas próprias veias. A inscrição dos direitos da natureza na constituição da Bolívia, o conceito de Pacha Mama do Equador — esses são sinais de geografias distantes, mas buscam resposta para a mesma pergunta: a água pode ser propriedade de alguém? Na Itália, um referendo interrompeu a privatização da água. Na Grécia, na Irlanda, em todo lugar, as pessoas se opõem à mercantilização da água. Mas na Turquia esse debate ainda não encontrou base suficientemente ampla. O ativismo pelos direitos à água permanece um nicho dentro do movimento ambiental; no entanto, cada gota que sai da torneira é política.
VALES EM REVOLTA
Uma voz se ergue do litoral do Mar Negro. A história da luta contra as usinas hidrelétricas nos vales de Arhavi é, em essência, uma história de tradução. De um lado: a linguagem dos ativistas que chegam de Istambul e Ancara — direito, avaliação de impacto ambiental, decisões judiciais, medições de vazão transversal, taxas de fluxo ecológico mínimo. Do outro: a linguagem dos moradores do vilarejo — riacho, peixe, avelã, chá, abelha, solo. Servir de intérprete entre os dois é talvez a parte mais difícil da luta. Mas essa tradução não é unidirecional; as mulheres dos vilarejos também estão traduzindo seu conhecimento, seus corpos, suas vozes para a linguagem do ativismo. E às vezes a tradução mais eficaz é uma mulher deitada à frente de uma escavadeira.
Quando a radiação de Chernobyl caiu sobre o Mar Negro, uma geração conheceu o câncer. O veneno invisível que se infiltrou nas folhas de chá, nas avelãs e no solo retornou anos depois como doença. Mas aquela experiência também ensinou algo mais: as questões ecológicas passam pelo corpo. A devastação causada por uma usina hidrelétrica é como uma metástase. Não um único órgão, mas todo o sistema colapsa. Quando se instalam tubulações ao longo de um riacho, não é apenas a água que é cortada — os peixes desaparecem, o jardim seca, as abelhas diminuem, a colheita de avelã cai, os jovens partem para a cidade. E quando as mulheres se deitam diante das escavadeiras, não é por um único riacho que se deitam — é por todo um modo de vida.
Elas usam máscaras de gavião — tanto um símbolo de resistência quanto uma forma de falar como a própria natureza. Quando a MNG chegou, Havva Ana se pôs diante da escavadeira. Elas aprenderam a lei, aprenderam a medir a vazão transversal, memorizaram as taxas de fluxo ecológico mínimo, foram aos tribunais. Não eram objetivos de vida; mas a luta carrega as pessoas a lugares que nunca esperavam. Depois de um tempo — depois do terceiro ou quarto painel — você se pega pensando: "Eu poderia substituir o Prof. Oğuz quando ele não puder vir, eu poderia fazer esta apresentação." Poderia ser feito algo assim no café do vilarejo?
Não é necessário ser vítima de algo para se importar com uma questão ecológica. A natureza global da vitimização importa aqui. Precisamos sublinhar o fato de que todos têm o direito de falar sobre tudo — e rejeitar e recusar qualquer uso contrário a isso.
E Ceraltepe. No alto dos vales onde as lutas hidrelétricas se travam, é onde estão planejadas piscinas de cianeto. Se uma operação de mineração colossal de quarenta quilômetros de diâmetro começar, até mesmo o debate sobre a usina hidrelétrica parecerá inocente por comparação. Porque o cianeto se espalhará pelas nascentes do sistema de águas subterrâneas. Como remédio administrado numa veia, circulará por todo o organismo — dos dedos dos pés ao cérebro. Se o riacho fluir ou não, estará envenenado. Todo o vale, toda a bacia hidrográfica, toda a vida.
As coisas que nos restam para salvar estão acabando. É por isso que estou com tanta pressa, talvez.
Nos últimos tempos, a dimensão de rua da luta ficou mais difícil. Há um isolamento crescente. Em Gezi, todos se abraçavam espontaneamente; as coisas surgiam naturalmente, coletivamente — slogans, palavras, piadas, pequenos atos cotidianos de solidariedade. Era precisamente isso que fazia Gezi: a convergência de lutas que por anos foram travadas separada e isoladamente — direitos dos animais, meio ambiente, direito à cidade — subitamente se encontrando. Agora essa energia parece dispersa, a atenção está dividida, há novos ataques e existe uma solidão séria. Mas não continuamos a retornar e a nos reunir? Esses próprios encontros são uma resposta: sentar e conversar, respirar, ouvir uns aos outros.
ABAIXO DA TERRA, ACIMA DA TERRA
Uma hidrogeóloga fala de Mardin, da planície de Kızıltepe. Ali, as águas subterrâneas estão sendo rapidamente esgotadas. A cada ano os poços ficam mais fundos, o lençol freático cai. Quando a seca e a irrigação excessiva se combinam, a agricultura na planície é empurrada à beira do colapso. Os agricultores respondem bloqueando as rotas comerciais — a forma mais elementar de protesto hídrico. Mas por trás desse protesto há um desespero profundo: ninguém sabe o que fazer quando o poço seca.
Onde há água, há vida. Onde não há, também não há.
A teoria dos comuns de Ostrom ganha forma concreta aqui: a água não pertence nem ao Estado nem ao mercado — pertence a todos. Mas "pertencer a todos" não deve significar "ninguém é responsável". Existem modelos de autogestão nos quais as comunidades podem proteger, compartilhar e sustentar suas próprias fontes de água. Os modelos de dinâmica de sistemas mostram o mesmo: quando a água é retirada, são os mais vulneráveis que primeiro são afetados — os pequenos proprietários, os animais, as árvores. Depois, os círculos de vulnerabilidade se ampliam. Por fim, quando os poços secam, todos são igualados — na sede.
Na cidade, um quadro completamente diferente. Você dá descarga, toma banho. Para onde vai essa água? Para as estações de tratamento — vastas estruturas operadas com fins lucrativos por empresas privadas. Dos canais emergem iates, pneus de caminhão, geladeiras. E nos dias de chuva, as zonas industriais organizadas lançam seus efluentes químicos sem pré-tratamento. Porque o pré-tratamento é um custo, e a chuva é uma oportunidade de escapar da fiscalização. Comemos peixe do Bósforo, sem perguntar em que água esse peixe nadou.
Mas até a palavra "sustentabilidade" está sendo questionada. O que estamos sustentando exatamente? A confissão de alguém formado como engenheiro é marcante: "O que nos ensinaram foi sempre: você faz algo, deve haver um resultado imediato. Mas a vida não é tão clara. Não se deve pensar apenas no curto prazo e, em vez de dizer definitivamente 'isso levará àquilo', o ponto é: nos pusemos a caminho, estamos fazendo algo."
A água vai fluir, vai encontrar seu caminho. Não acho que precisamos nos mover tão rápido.
E quando dizemos "local", tendemos a pensar nas áreas rurais — mas nosso local também é aqui, esta cidade. Istambul tem uma estrutura que transborda os limites da geografia urbana. O que pode ser feito aqui? Para que as pessoas daqui conheçam melhor o exterior, para que as pessoas de fora venham aqui, para que o conhecimento flua nos dois sentidos. A linguagem visual sempre foi mais poderosa do que a linguagem escrita ou falada ao longo da história. Como unir a arte, o visual, a linguagem criativa com os movimentos sociais — como expandi-los. Falar dessas coisas juntos, nutrir uns aos outros — compartilhar exemplos que nunca estiveram presentes aqui.
SEM DINHEIRO, SEM ÁGUA
Quando começamos a comprar água? Nos anos 1980, se você entrasse numa mercearia e dissesse que estava com muita sede, o dono do estabelecimento lhe daria um copo d'água. De graça. Agora essa água é uma mercadoria comercial, dentro de uma garrafa PET, atrás de uma marca. Essa transformação aconteceu tão devagar que nem percebemos. Assim como a frigideira de cobre foi substituída pela antiaderente de teflon; assim como o trabalho comunitário foi substituído pelo consumo individual. Comodidade foi oferecida; o custo não foi perguntado.
Uma artista está tentando reverter essa transformação. Ela compra árvores com seu próprio dinheiro e as planta no lugar das derrubadas para construção em Istambul. Sua preocupação mais profunda, no entanto, são as águas enterradas de Istambul: riachos que foram tampados, colocados sob concreto, convertidos em esgotos. Nesta cidade há cerca de oitenta riachos conhecidos, e nenhum trabalho abrangente foi feito sobre nenhum deles. Onde começam, onde terminam, qual ainda flui, qual já faz tempo que morreu? Os mapas antigos de Istambul mostram cursos d'água; nos mapas novos, não há nem rastro.
Descobrir um riacho subterrâneo — quem vai fazer isso?
Através daquelas tubulações e esgotos por onde a vida uma vez fluiu — escolhemos transformá-los nas rotas desta civilização do lixo.
Outra artista instala uma obra chamada Maruz (Exposta) na margem do Kurbağalıdere. O riacho não corre mais; fede. Ela quer expor as pessoas àquele cheiro, àquele espetáculo. A água nos serve de espelho; quando olhamos para ela, nos vemos — mas não queremos ver. E uma terceira artista diz que a água tem a natureza do cinema. Os primeiros cineastas sempre queriam filmar água — fluxo, atemporalidade, movimento. "A atemporalidade e fluidez da água, e o fato de o cinema ser um pouco assim também — essas coisas estão conectadas." O espectador encontra seu próprio tempo dentro desse fluxo. E talvez o cinema também seja como a água: flui, se transforma, desaparece — mas deixa um rastro.
Precisamos trabalhar a partir de coisas concretas. Quando há algo concreto, as pessoas começam a vir e dizer: "Ah sim, isso poderia funcionar." Os oitenta riachos de Istambul — esse poderia ser um projeto concreto. Onde começam, onde terminam, quais ainda estão vivos? Há mapas antigos, mapas hídricos; alguém é um colecionador com mapas históricos em sua posse. Cada um desses riachos servirá como espelho: quando olharmos, veremos a água; na água, veremos a nós mesmos.
FATO, CONCEITO E TULUM
Talvez o momento mais inesperado desta conversa seja quando a fabricação de queijo é mencionada. Alguém descreve um queijo tulum: "Primeiro coamos o queijo através de um pano de musselina. Depois o prensamos, enchendo firmemente uma tulum de pele de cabra, tanto quanto ela aguenta. Depois o enterramos no chão. Depois de três meses, torna-se um belo queijo." Esta é uma metáfora: se um acadêmico não espera tempo suficiente para interpretar um fato, sucumbe ao que já ouviu. É precisamente por isso que se deve pressionar o fato firmemente no conceito, enterrá-lo no chão, aguardar que madureça. Tanto ir a algum lugar como forasteiro quanto definir a própria vida através de outra prática — arte, academia, ativismo — e tentar construir uma relação a partir daí: "era algo com que lutávamos e não conseguíamos nos desvencilhar. É por isso que fato, conceito e tulum se uniram para nós."
O conhecimento encontrado nas aldeias está oculto na natureza e à beira de se perder. Fazer um colar com os fios que emergem da raiz da planta erati. Enfiar morangos silvestres em seus caules — a extremidade da raiz dura, onde encontra o caule macia — e usá-los como colar. Observar o ninho de uma aranha durante uma hora, ver os filhotes comerem a mãe e transformar isso numa frase transmitida de geração em geração: "Cuide da aranha — esses filhotes vão me comer." Essas não são coisas aprendidas em documentários; são coisas conhecidas por meio de vivência. Há quatro mil anos de cultura ali. Hemşinlis, povo Laz, falantes de Romaiika. As relações que cada um deles forjou com a água, o solo e as plantas são diferentes — mas todos se nutrem da mesma raiz: viver dentro da natureza, produzir ao lado dela, aprender com ela.
Como, então, carregaremos esse conhecimento? De um lado está a ideia de "levar" — levar artistas, músicos, teatrólogos às aldeias, organizar ecofestivais. Mas do outro lado, "coproduzir" é mais preciso do que "levar". O artista visitante vai não para oferecer algo, mas para entender a experiência de lá, para trabalhar ao lado dela. Ver o moinho da aldeia, participar do mutirão de colheita de avelãs, ouvir canções à noite — essas não são experiências turísticas, mas o chão da coprodução. Assumir o caminho, restaurar o moinho. Já existem fortes motivações nas pessoas que têm uma relação com aquela geografia. A questão é impedir que essa relação seja unidirecional. Há pessoas lá que já construíram uma casa na aldeia, cultivam tudo por conta própria, vivem sem fazer compras. Há muito a aprender com elas. "Vamos lá, vamos viver o que descrevi. Não esperaremos resultados no curto prazo."
Mas o processo de rebaixamento do camponês na Turquia foi tão longo que as pessoas se estranharam de seu próprio conhecimento. As coisas da aldeia foram transformadas em coisas das quais se deve ter vergonha. Vegetação, solo, panelas de cobre, trabalho comunitário — todos foram contados como sinais de "ter ficado para trás". Agora há uma inversão interessante: coisas expulsas da cidade estão começando a atrair a atenção de todos. Tocar o solo, cultivar o próprio alimento, viver com materiais naturais. Mas ainda como nostalgia, como curiosidade; não como prática de vida em si. Coisas expulsas da cidade são agora o que todos consideram "muito interessante". Interessantes como conhecimento; remotas como prática.
Caminhar ao longo de um riacho e coletar lixo foi tentado — foi feito um anúncio na mesquita da aldeia, um evento foi organizado, crianças participaram, uma pequena caminhonete de lixo foi coletada. Mas voltando no ano seguinte, a situação era a mesma. Foi feito duas vezes; na terceira, ninguém apareceu. Porque não há mais ovos na aldeia; eles são comprados no centro da cidade. Um carro parte a cada quinze minutos, o vendedor de melancia vem, o vendedor de frutas vem, os supermercados chegam até o fundo do vilarejo. O capitalismo global te encontra mesmo no topo da montanha. Quando éramos pequenos, não havia tal coisa como lixo; tudo era transformado, usado, queimado, virado composto. Agora tudo chega pronto, em embalagem plástica. E esse plástico vai para o riacho.
As pessoas de lá já testemunharam desenvolvimentos na natureza e tiraram conclusões deles. Palavras vieram delas. Você consegue imaginar? Há tantas coisas assim que eu anoto, que continuo acumulando.
PERTENCIMENTO
Viver em três grandes cidades e não sentir nenhum senso de pertencimento a nenhuma delas. Izmir, Ancara, Istambul — cada uma com suas próprias práticas, mas nenhuma capaz de forjar aquele vínculo de pertencimento. Quando a relação com a água é cortada, também o é a motivação para protegê-la. Mas na aldeia, no lugar onde se nasceu, a água molda diretamente a vida. Essa tensão não pode ser resolvida, mas é nomeada: pertencimento. "Sou uma pessoa pequena; há mais de vinte milhões de pessoas aqui. Não consigo. Mas na aldeia, há um lugar ainda não poluído, ainda protegível. E mais urgentemente: afeta diretamente a vida das pessoas dali."
Uma voz que se junta de Londres oferece outra perspectiva. Lá, vive-se ao lado de moscas, teias de aranha, insetos. Nem mesmo a pulverização em massa de pesticidas é feita no jardim; não querem perturbar o habitat das criaturas. Se você não separar o lixo, ele não é coletado. As margens dos rios são públicas; parques, campos esportivos. "Mesmo devendo ser mais avançado em termos de modernidade, estou vivendo uma vida muito mais próxima da minha vida em Erzincan." Quanto mais limpos nos tornamos, mais poluídos ficamos — e mais poluímos. Lá têm quatro lixeiras separadas em casa; se você não separar o lixo, ele não é coletado. Sanções e conscientização caminham lado a lado. Aqui, as campanhas de conscientização flutuam no ar, e a fiscalização está ausente.
As grandes cidades são modelos, querendo ou não. Em todas as séries de TV, em todos os filmes, em todo lugar, o estilo de vida urbano é apresentado como exemplar. E quando aqueles citadinos jogam seu lixo no riacho, o morador do vilarejo faz o mesmo — pensando "a água vai levar." Mas nosso lixo cresceu tanto que a água também tem uma capacidade. Colchões emergem das estações de tratamento, tampas de vaso sanitário, caixas d'água. O poder de formulação de políticas dos municípios é enorme; trabalhar com eles é uma necessidade.
São metástases. Precisamos nos concentrar onde quer que esteja a doença primária. Não importa onde estamos.
E talvez a metáfora-raiz do birbuçuk — o gengibre — encontre seu significado aqui. Encontros que não têm obrigação de permanecer juntos, variáveis, não um fardo uns para os outros, mas surgindo da mesma raiz. Essas conversas como a raiz principal; os projetos, painéis, publicações e encontros que brotarão delas — como as pequenas raízes do gengibre, cada uma encontrando seu próprio caminho. Assim como a água encontra o seu. O que importa é se encontrar, se conhecer e respirar juntos. Em vez de esperar resultados imediatos, confiar no processo. Não pensar no curto prazo. Pusemo-nos a caminho — talvez compartilhando uma refeição, talvez nos escrevendo, talvez nos encontrando novamente, seja em Istambul, na costa do Mar Negro ou em Mardin. Troca mútua de conhecimento e experiência — tanto em relação à arte especificamente quanto como um todo. Talvez quando formos lá, estejamos até causando dano; é necessário olhar as coisas um pouco por esse lado também. Mas sem ir lá, tendo as pessoas daquele lugar dizendo — "olha, as pessoas estão vindo, você acredita o quanto estão curiosas, o quanto isso acaba sendo valioso" — isso também é um passo.
A água vai fluir, vai encontrar seu caminho. E nós também a deixaremos fluir.